Tia Neiva — a Fundadora do Vale do Amanhecer
História Diversa
Publicado em 18/09/2026 às 15:36 por Chapanã Antes de ser conhecida como Tia Neiva, fundadora de um dos maiores movimentos espiritualistas do Brasil, ela foi apenas Neiva — uma mulher que enfrentou, sozinha, uma vida difícil, muito antes de qualquer sinal do que estaria por vir.
Linha do tempo
Data Fato
30/10/1925 Nasce Neiva Chaves Zelaya, em Propriá (SE), filha de Antônio de Medeiros Chaves e Maria de Lourdes Seixas Chaves.
1943 Casa-se, aos 18 anos, com o argentino Raul Zelaya Alonso.
1949 Enviúva aos 22 anos; sustenta sozinha os quatro filhos do casal.
1953, Itumbiara (GO) Primeiro fenômeno mediúnico: fica inconsciente por dez dias.
1954 Muda-se para Goiânia.
Maio de 1957 Chega a Brasília a convite do engenheiro Bernardo Sayão, já com três caminhões cadastrados na Novacap.
1957–1958 Na Cidade Livre (Núcleo Bandeirante), a mediunidade desperta com clareza; tem a visão recorrente de um castelo numa campina verde e recebe a manifestação do primeiro espírito sofredor.
08/11/1959 Funda a União Espiritualista Seta Branca (UESB) , na Serra do Ouro (Alexânia, GO).
09/11/1959 Recebe o primeiro mantra Mayante , usado até hoje para abrir os trabalhos espirituais.
1964 É internada com tuberculose; no mesmo ano, funda em Taguatinga (DF) a Ordem Espiritualista Cristã .
15/11/1969 Muda-se para o terreno à margem da rodovia DF-130, perto de Planaltina (DF), e funda formalmente o Vale do Amanhecer .
01/05/1978 Recebe ordens para implantar o Sacerdócio Koatay 108.
1983 Concede entrevista à Rede Manchete para série documental.
17/05/1984 Investe o filho Gilberto Chaves Zelaya como Trino Ajarã, Coordenador Geral dos Templos do Amanhecer.
1985 Dá sua última entrevista, ao jornal Última Hora .
15/11/1985 Tia Neiva desencarna, aos 60 anos, em Brasília.
Família e origens
Filha do topógrafo Antônio de Medeiros Chaves e de Maria de Lourdes Seixas Chaves, Neiva tinha três irmãos: Nivaldo, José Luís e Maria de Lourdes. Casou-se aos 18 anos com o argentino Raul Zelaya Alonso, com quem teve quatro filhos — Gilberto, Carmem Lúcia, Raul Oscar e Vera Lúcia — e mais tarde adotou uma filha, Gertrudes Chaves Zelaya, que aparece nos relatos de Mário Sassi ajudando nos cuidados do orfanato da UESB.
Uma mulher à frente do seu tempo
Nos anos seguintes ao enviuvamento, Neiva trabalhou como fotógrafa, carregadora de sacos de mandioca, costureira e cobradora de ônibus, passando por várias cidades do interior de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná em busca de uma vida melhor para os filhos. Em determinado momento, tirou a carteira de motorista de caminhão — tornando-se, segundo os registros da própria doutrina, a primeira mulher do Brasil a fazer transporte de carga profissionalmente .
Ser uma viúva independente, num tempo em que isso era mal visto, custou caro: como ela mesma relembraria décadas depois,
"Não gostavam de 'trabalhadores espirituais' e de mulheres independentes. Simplesmente pela minha ousadia de, viúva, querer viver a própria vida, já havia sido expulsa de casa uma vez."
— Tia Neiva, em entrevista
Foi justamente nesse período, em 1953, na cidade de Itumbiara (GO), que ela teve o que descreveu como seu primeiro fenômeno mediúnico, ficando inconsciente por dez dias.
A clarividência desperta
Em maio de 1957, Neiva chega a Brasília, a convite do engenheiro Bernardo Sayão, para trabalhar durante a construção da nova capital — já como motorista, com três caminhões cadastrados na Novacap. É na Cidade Livre, atual Núcleo Bandeirante, que os fenômenos se intensificam: ela passa a ver e ouvir espíritos com clareza cada vez maior, um processo que ela mesma descreveu como assustador no início.
"Em 1958 [...] fiquei olhando para o teto pensando na minha vida [...] quando comecei a ver no teto uma campina verde e um castelo, nas imediações do qual pessoas caminhavam e riam."
— Tia Neiva, em Minha Vida, Meus Amores
Nesse período ela recebe as primeiras entidades espirituais que se tornariam guias constantes em sua missão — entre elas Mãe Iara, Pai João de Enoque e o espírito que se apresentava como Pajé, além de Pai Seta Branca, o Mentor Espiritual que a doutrina descreve como responsável por conduzir toda a sua missão.
A fundação da União Espiritualista Seta Branca
Em 8 de novembro de 1959, já decidida a seguir a orientação espiritual que recebia, Neiva funda na Serra do Ouro, próximo a Alexânia (GO), a União Espiritualista Seta Branca (UESB) — o núcleo original do que se tornaria o Vale do Amanhecer. No dia seguinte, recebe o primeiro mantra Mayante, ainda usado hoje para abrir os trabalhos espirituais da doutrina.
Em 1964, já debilitada por um período de internação por tuberculose, funda em Taguatinga (DF) a Ordem Espiritualista Cristã, dando um novo passo organizacional à obra — até se estabelecer definitivamente, em 15 de novembro de 1969 , no terreno em Planaltina (DF) onde o Templo-Mãe do Vale do Amanhecer está até hoje.
Mãe de todos
Quem conviveu com Tia Neiva descreve uma mulher que nunca fechava a porta para quem precisava — fossem os consulentes que faziam fila desde a madrugada, fossem as dezenas de crianças abandonadas que ela acolhia informalmente junto à comunidade. O Mestre Mário Sassi, um dos seus principais colaboradores e quem registrou boa parte dessa história por escrito, resumiu esse traço numa frase:
"Assim era a Casa Grande, tão grande quanto o coração de Neiva. Sempre havia lugar para mais um."
— Mário Sassi, Sob os Olhos da Clarividente
Sassi também descreveu, num dos diálogos que registrou com ela, o jeito de Tia Neiva enxergar quem a procurava, rico ou pobre:
"Meus filhos, é preciso ter caridade para com os ricos, pois suas vidas são mais difíceis que as dos pobres. [...] Todos merecem ser bem tratados, e não quero que se demonstre ressentimento a uma pessoa, só porque ela tem um carro e um padrão de vida melhor."
— lição de Pai Seta Branca, relembrada por Tia Neiva a Mário Sassi
Mãe também de uma linhagem de liderança
Antes de desencarnar, Tia Neiva deixou a continuidade da Doutrina do Amanhecer nas mãos de quatro Trinos Presidentes Triadas — entre eles seu próprio filho, Gilberto Chaves Zelaya , o Trino Ajarã, investido por ela em 1984 como Coordenador Geral dos Templos do Amanhecer.
O legado
Tia Neiva desencarnou em 15 de novembro de 1985 , aos 60 anos, deixando uma obra que continuou a crescer sob a liderança dos mestres que formou — entre eles Mário Sassi e seu próprio filho Gilberto. Hoje o Vale do Amanhecer reúne milhares de médiuns em templos por todo o Brasil e outros países, com o Templo-Mãe em Planaltina recebendo, segundo a Wikipédia, entre 3 e 4 mil visitantes por dia.
Fontes
Apostila de Recepção (Adjunto Japuacy / Mestre Itamir Damião) — biografia, datas e narrativa da fundação
Sob os Olhos da Clarividente e Tia Neiva — Minha Vida, Meus Amores , de Mário Sassi — relatos e citações diretas
Estatuto da CGTA e Lei Dharman-Oxinto, Lei do Trino Ajarã — a investidura de Gilberto Chaves Zelaya em 1984
Wikipédia — Tia Neiva , consultada em setembro de 2026 — nomes da família, datas complementares (fundação da UESB em 8/11/1959, internação de 1964, entrevistas de 1983 e 1985) e a citação sobre ser expulsa de casa
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